Publicado em: 22/09/2025 13:24
Em 1947, um grupo de jovens capturou uma fagulha do fogo da Pira da Pátria e acendeu, pela primeira vez, o fogo que hoje marca o início das celebrações das tradições e da história do povo gaúcho. Anualmente, a Chama Crioula mobiliza e inspira tradicionalistas de todas as idades, nos convida à reflexão e coroa, Rio Grande do Sul afora, as comemorações da Semana Farroupilha.
Mais do que proteção para o vento frio de setembro, a Chama Crioula é um lembrete constante de tudo aquilo que nos representa enquanto povo: a hospitalidade, a força, a coragem e a paixão pelas tradições. É ao seu redor que nos encontramos, reencontramos, compartilhamos mates e lembramos, com profundo respeito, daqueles que nos antecederam e construíram o legado que hoje vivemos.
É sob a luz deste candeeiro que ocorrem os festejos farroupilhas, momento que não pode ser resumido como “uma simples celebração”. A Semana Farroupilha marca o ápice da cultura tradicionalista gaúcha, quando somos convidados a mergulhar nas raízes de nosso povo e reverenciar os heróis que tanto lutaram por seus valores.
O nascimento dessa comemoração ocorreu em um momento histórico em que a sociedade negava hábitos e costumes tradicionais e a identidade regional estava se perdendo. Foi com o acendimento da primeira chama crioula que a luta para reacender o sentimento de orgulho das coisas tradicionais iniciou.
É por esse motivo que, quando a Semana Farroupilha chega ao fim, com o último mate compartilhado e a última ronda crioula encerrada, por mais que o coração aperte, o tradicionalista guarda no peito tudo o que viveu e aprendeu.
Ao contemplar a chama que se apaga, símbolo da força de nossos antepassados, o espírito fica mais forte e se enche de esperança de que nossa tradição não será perdida.
O sentimento maior é de felicidade, por ter, mais uma vez, reafirmado o significado de ser gaúcho: alguém que, independentemente da querência de origem, escolheu cultuar a tradição e reverenciar o legado farroupilha.
Ao apagar do candeeiro, a despedida se transforma em promessa: de que a chama que queima dentro de cada um continuará guiando nossos passos. Que ao contrário do fogo, extinto por um instante, nossa luta e união serão constantes. Que, no jeito simples de levar a vida, o legado farroupilha permanecerá conosco o ano inteiro. E que, mesmo com o fogo simbólico se apagando, ninguém apagará a chama da tradição que arde dentro de tantos corações.
Por: Yasmin Salini Sagais.
Yasmim Salini Sagais é estudante de Direito na UNOESC/Chapecó e Prenda do CTG Fronteira Querência, de Concórdia/SC. Com uma trajetória marcada por dedicação e amor à cultura gaúcha, Yasmim foi 1ª Prenda Juvenil do CTG por duas gestões (2018/2020 e 2020/2022), 1ª Prenda Adulta Regional da 17ª RT/MTG (2023/2025) e em 2024, conquistou o título de 2ª Prenda Estadual do MTG. Em breve estará representando nosso Estado e CTG no Concurso Nacional de Peões e Prendas, em Primavera do Leste/MT.
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