Publicado em: 27/04/2026 14:26
Iniciativa propõe a estruturação de um modelo técnico de gestão que integra acolhimento humanizado, garantia de direitos e inserção laboral segura
A Embaixada Solidária e o Instituto MBRF lançaram, em Concórdia, o Projeto de Governança Pública para Migrantes, iniciativa voltada à organização e qualificação do atendimento a migrantes, refugiados e apátridas. A proposta busca estruturar um modelo técnico de gestão que una acolhimento humanizado, garantia de direitos e inserção segura no mercado de trabalho, promovendo integração entre poder público, empresas e sociedade civil.
Segundo a presidente do Instituto MBRF, Raquel Ogando, o projeto responde à realidade local, marcada pela presença crescente de trabalhadores migrantes em busca de oportunidades. A iniciativa prevê a criação de protocolos formais de atendimento para secretarias municipais, garantindo padronização, transparência e segurança jurídica nos processos de acolhimento.
Os protocolos contemplam áreas como documentação, assistência social, saúde, educação, empregabilidade e direitos humanos, além de mediação cultural e encaminhamentos diversos.
Outro eixo estratégico é a formação de equipes técnicas de diferentes setores, incluindo profissionais da assistência social, saúde, educação, recursos humanos e órgãos públicos. As capacitações abordarão temas como fluxos migratórios, boas práticas humanitárias, gestão intercultural e prevenção de vulnerabilidades.
O projeto também prevê a criação de Comitês Municipais de Governança Migratória, com caráter permanente e atuação intersetorial. Esses comitês terão a função de monitorar, deliberar e aprimorar políticas públicas voltadas à população migrante, garantindo continuidade das ações.
De acordo com Edna Nunes, fundadora da Embaixada Solidária, o diferencial da proposta está na abordagem integrada e estrutural. Entre as entregas previstas está a elaboração de um Manual Técnico de Governança Migratória, reunindo diretrizes, protocolos e boas práticas. O documento deverá servir como referência para outros municípios brasileiros interessados em estruturar políticas semelhantes. A iniciativa também inclui ações voltadas à promoção da interculturalidade e valorização das comunidades migrantes.
Eventos culturais, mediação de conflitos e campanhas informativas fazem parte das estratégias de integração social. O projeto surge em um contexto de aumento da migração em polos agroindustriais como Concórdia.
A MBRF, uma das maiores empregadoras de migrantes no país, mantém unidade na cidade com cerca de 1.700 trabalhadores estrangeiros. No Brasil, a empresa soma mais de 10 mil colaboradores migrantes, principalmente da Venezuela e do Haiti.
A Embaixada Solidária, fundada em 2014, atende atualmente cerca de 300 famílias por mês. A organização oferece apoio básico, orientação jurídica e ações de integração cultural.
Já o Instituto MBRF atua há 14 anos com projetos sociais, impactando mais de 3,8 milhões de pessoas. O projeto busca não apenas acolher, mas garantir condições dignas de permanência e desenvolvimento aos migrantes.
Por Rosilene Fochesatto/OJ
Informações MBRF
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